Mostrando postagens com marcador Inclusão Digital. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inclusão Digital. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, outubro 02, 2009

Educação de qualidade: sim, podemos - claro!

A medida dos anos, vários países adotaram exames em seus sistemas de ensino, descobrindo que podem melhorar os seus desempenhos através dos outros. Dá para aprender mais com isso? A resposta é sim!

Vou aqui buscar traçar uma visão voltada à educação, assim como fazemos com qualquer outra atividade humana e buscamos qualificá-la. As comparações internacionais deixam isso claro. Mais e mais institutos de pesquisas privados, governamentais e (principalmente) não-governamentais levantam questões cruciais do nosso dia a dia e transformam isto em dados, em pesquisas para que possamos entender como vivemos e quanto podemos melhorar os diversos ecosistemas (em sua ampla abordagem) que nos envolvem. Isso se dá quando resultados apontam o quão melhor alguns países são melhores do que outros em certos aspectos, o que fornece evidências de que a melhoria é possível. Passa a ser, então, uma questão de aumentar as expectativas, transferindo então aí os resultados dos países para os indivíduos que lá habitam.


Pergunte a um pai ou professor americano por que um aluno vai mal em matemática ou física; provavelmente você vai ouvir que tem a ver com inteligência. A mesma pergunta no Japão ou na Coréia geralmente encontrará, pelos pais e professores, uma culpa na falta de esforço do aluno. Em outros países, pais culpam os professores.


A OCDE mantém o PISA (International Student Assessment Program), usando matemática e ciências, uma das formas de comparação entre países. Num dos levantamentos viu-se que até até mesmo alguns dos melhores países do mundo têm lacunas entre alto e baixo desempenho e entre alunos de origens socialmente favorecidos e os desfavorecidos. No caso do Reino Unido, por exemplo, estas diferenças eram muito maiores do que em muitos outros países.


Até hoje as reações dos países no PISA têm variado consideravelmente. O fraco desempenho da Alemanha tem provocado um intenso debate, particularmente sobre o seu fluxo de alunos na idade de 11 anos em diferentes tipos de escolas. Para entender melhor seus resultados, o país encomendou um estudo multilateral entre os países com os quais queria comparações mais detalhadas, desenvolvendo uma matriz curricular nacional, com valores de referência para o desempenho dos alunos. Já a Dinamarca iniciou uma revisão de suas políticas de educação em relação aos da Finlândia, que tem uma performance significativamente melhor. Dá para aprender mais? De novo, sim.


A Finlândia define os objetivos de forma centralizada para daí fornecer apoio aos monitores das escolas, mas deixa para estas as escolhas sobre como as metas são para ser cumpridas. Na Inglaterra, após o desenvolvimento de estratégias centralizadas para melhorar o desempenho no idioma Inglês e Matemática, e obter franco sucesso, passa agora a dar mais liberdade aos professores e escolas na determinação dos meios para alcançar melhorias.


Alguns países - como o México, por exemplo - tem monitorado os seus sistemas via um instituto independente do seu Departamento de Educação Pública, equivalente ao nosso Ministério da Educação. O Canadá usa o método para o acompanhamento da língua, matemática e ciências. Alguns países começam a avaliar todos os seus alunos saindo das amostragens, o que abre a possibilidade de acompanhar tanto o sistema como cada escola, onde muitas decisões importantes (quase todas) afetam diretamente a aprendizagem dos alunos. Os EUA vem dando ênfase especial aos grupos de baixo desempenho.As escolas e os estados são necessários não só para produzir uma melhoria global, mas também melhorias para o momento, às minorias étnicas.


Tipicamente o investimento por aluno faz a diferença mas não é a principal resposta quando o assunto é qualidade; certamente encontramos variações consideráveis de eficiência em sistemas educacionais diferentes, em locais diferentes, em estímulos diferentes. França, Dinamarca, EUA ou Suiça investem muito mais por aluno do que Finlândia, Irlanda e Reino Unido, por exemplo, só que o resultado efetivo nos exames comparativos favorece estes últimos. Em outras palavras, a organização da sala de aula, a inovação, os métodos, tudo isso é fundamental.


A educação na sua forma atual está preocupada apenas com a transmissão do conhecimento e este modelo está falido, longe ainda do necessário à sociedade do conhecimento. Quem está mais nesta (boa) direção é a Finlândia, onde os professores têm fundamental importância para o sucesso do país; ensinar é uma profissão de status elevado lá. A entrada para a formação de professores é altamente competitiva, todos tem pós-graduação e/ou mestrado, e são incentivados com considerável liberdade para inovar em sua prática profissional. O sistema finlandês não deixa que alunos em dificuldades sigam em frente.Veja aqui seu mais recente resultado no PISA 2006.


Construir um quadro completo do que funciona - ou seja, das melhores práticas - mediante a obtenção de melhores resultados é um bom caminho para elevar os padrões em toda parte, mas leva-se tempo e é um exercício complexo. Desconheço outros modelos comparativos em nível mundial e a natureza humana sempre vai critica-los, quaisquer que sejam, na maioria das vezes simplesmente pelo fato de criticar ou por não ter participado do processo - nada mais.


Acho que se o modelo vem sendo aprimorado e neste ano quase 90% da economia global será coberta na avaliação. Se todas as nações participassem um dia de um projeto destes seria, aí sim, um avanço significativo. Com o decorrer dos anos todos sairemos ganhando e quem sabe este ou outro sistema comece também a avaliar outras faixas etárias que o PISA não atende. E certamente com o avanço das TICs várias coisas serão aprimoradas nas avaliações futuras. As novas novas gerações do conhecimento, das redes sociais, da colaboração agradecem.



Giancarlo Colombo



Fontes:

segunda-feira, agosto 31, 2009

Tipos Diferentes na Web

Li recentemente um estudo de um instituto americano de pesquisas, Pew, apontando os hábitos de adultos na era da Web 2.0. Até aí, sem novidades. O divertido do estudo é a divisão "identificada" que eles fizeram de raças de humanos, excluindo a raça dos adolescentes que não entrou na pesquisa porque já vem chipada de útero.

Em resumo, 4 raças aparecem no topo, como a elite dos consumidores de tecnologia, 4 outras como os que não ligam a mínima (os últimos da lista), e outras duas que ainda não decidiram o que fazer. A divisão é esta:

1 – Onívoros – Sabem tudo sobre gadgets e serviços da internet, participam muito do ciberespaço e têm seus próprios blogs e sites

2 – Ligados - Usam celulares sofisticados e ficam bastante tempo online. Vivem satisfeitos com esses recursos, ligados em comunidades e hobbies.

3 – Veteranos desanimados – Usam muito a internet e menos celulares. Não estão tão satisfeitos com com TI e tecnologias de comunicação.

4 – Produtivos – São super otimistas sobre o poder da tecnologia para se manter atualizados, realizar seu trabalho e aprender coisas novas.

5 – Centrados em mobilidade – Eles adoram a funcionalidade dos celulares, mas usam menos a internet

6 – Conectados mas aborrecidos – Investiram muito em tecnologia, mas acham a conectividade invasiva e consideram tanta informação um peso

7 – Experimentadores inexperientes – De vez em quando usam os recursos de interatividade, mas poderiam explorá-los mais, se tivessem mais experiência

8 – Light mas satisfeitos – Usam um pouco de tecnologia, mas ela não ocupa um espaço central na vida deles

9 – Indiferentes – Apesar de ter celulares e acesso à internet, usam um e outro intermitentemente, e acham a conectividade uma atrapalhação

10 – Desconectados - Não têm celular ou acesso à web. Tendem a ser mais velhos e estão satisfeitos com a velha mídia

Exceto pela classe média talvez o estudo não reflita o cenário brasileiro, considerando a disponibilidade de infra-estrutura e acessos dos EUA. Lá a Pew não explorou a relação entre o poder de compra das pessoas e uso de tecnologia. Independentemente dos prós e contras, vale a pena baixar ele na íntegra aqui.

Um ponto interessante é que os "onívoros" tem idade média de 28 e há 10 estão online. Eles são os mais novos, já que os chipados, já disse, foram excluídos.O grupo que está mais próximo no sentido de antenados online (os mesmos 10 anos na rede, em média), os "produtivos", tem idade média de 40. Esse quadro está na página 39 (o estudo tem 65).

Deduzir o que então? Haverá uma migração no decorrer dos anos, com a idade média dos onívoros diminuindo e um equacionamento do tempo de antenados online. Mesmo que os 10 grupos continuem a existir, os 6 primeiros dominarão; em alguns anos talvez tenhamos veremos a extinção de alguns tipos - até para facilitar o estudo :-).

Giancarlo Colombo

terça-feira, julho 14, 2009

Do you know O'Reilly?

Tim O'Reilly is the founder of O'Reilly Media and a supporter of the free software and open source movements. He is widely credited with coining the term Web 2.0.

I found a recent presentation posted on slideshare talking about Gov 2.0, a parallel term that describes the new scenario of government needs in the social media world regarding Obama's internet focus.



GC

quinta-feira, julho 02, 2009

É angustiante não estar (ou ser) up-to-date?

A provocação é o quanto podemos e devemos saber? Existe até uma expressão criada para caracterizar esse "não sei como acompanhar toda essa velocidade de informação": a tecnoangústia, típica dos dias de hoje e que mostra que, muitas vezes, saber demais passa a ser um problema.


É muita coisa. Anualmente centenas de milhões de gigabytes são produzidos pelo homem, milhares de canais de TV e rádio, de WebTVs e WebRadios. Podcasts e videocasts. Milhares de publicações, de revistas (cada vez mais) especializadas e segmentadas. Milhões de sites, quase 100 mil novos blogs criados por dia, bilhões de emails e de tweets. E todos os números aqui crescem em escala, ano a ano. Meu HD Ufa!



Aí vem a história que é patente hoje:as famílias têm passado menos tempo juntas. O declínio no tempo dedicado à convivênvia familiar coincide com a alta (ou apenas o início?!) no uso da internet e da popularidade das redes sociais, ainda que um novo estudo não tenho atribuído à tecnologia a responsabilidade direta pela tendência. Facebook - um país digital com mais de 200 milhões de usuários, que dobrou de tamanho em menos de um ano -, Twitter, LinkedIn, MySpace, Plaxo, todos aos milhões de "habitantes"/usuários.

Se você muda - e as coisas tem sido e exigido cada vez mais essa capacidade de absorção e articulação - fica tenso; faz parte da natureza humana a rejeição à mudança, pelo menos para a grande maioria. Se você não muda a sensação passa a ser de impotência, de incompreensão, de um peixe fora d'água, o mundo na velocidade uma Ferrari e você de fusca - ou jegue.

A mim parece que há algo inadequadro, um sentimento de opressão (ou pressão?!) de que outras pessoas fazem ou estão fazendo as coisas certas, enquanto outras ficam para trás. Essa é a leitura. Traço um paralelo entre a intensificação do uso das tecnologias da informação e comunicação (TICs) - o que inclui gadgets como iPhone, Blackberry e outros smart phones que nos deixam conectados o tempo todo (eu inclusive)
, em qualquer "buraco", com a pseudo falta de tempo que insistimos em não ter, trocando relações por coisas digitais, tempos de encontros, de conversas possíveis com uma navegação que muitas vezes nos leva.

Tem um intervalo? Conecte. Veja se tem um email, passe um SMS, leia sua lista "reader", ouça seu podcast ou baixe um vídeo - dá tempo! Tem rede wifi (sem fio) no lugar onde você esta? Ainda bem! Agora é que você vai ficar conectado o tempo todo. E isso vale para todo o tempo: café, almoço, jantar, intervalo (do que mesmo?!), seja em hotel, resort, livraria... já parou para pensar nisso? Olhe do seu lado ou para si. Já pensou em recursar uma estadia num hotel - em férias - só porque ele não tem banda larga ou mesmo rede sem fio para o seu net ou notebook? Faz sentido? Para muita gente, sim.

Talvez quem não use o computador, smartphone, redes sociais ou algo do gênero tenham menos ansiedade com os efeitos das mudanças tecnológicas; mas isso é um palpite. Acho que a ansiedade é genérica, apenas muda de grau. Certamente essa não é a primeira nem será a última grande transforção tecnológica, num mundo que já passou da sociedade agrícola para a industrial - só para ficar em um único exemplo. Fato evidente é que a angústia, tal qual hoje, também existiu e quem conseguiu aceitar a mudança e trabalhar com ela viu um mundo com um padrão de vida (bem) melhor do que algumas décadas.

Nesse blog, sempre que posso, faço um post sobre o
TED Conferences, um serviço criado por Richard Saul Wurman há exatos 25 anos. Procure entender um pouco sobre esse homem e veja essa definição fantástica do seu perfil, "o mestre do inesperado". E o que isso tem a ver com este post? Duas coisas: a primeira é o termo tecnoangústia, cunhado por ele; a segunda é minha proximidade e reverência ao serviço TED onde sou voraz participante, fã assumido do modêlo de negócio, do objetivo e tudo o que circunda o TED. Isso é assunto para um post a parte que farei em breve.

O que posso enfim concluir é que (felizmente) cada um tem um jeito de ver as coisas. Do meu lado estou no time que precisa ser e estar up-tp-date, entender para onde caminha a tecnologia e por onde a sociedade está se articulando para compreendê-la; faço porque gosto. Com a internet veio uma explosão, boa, mas cada um tem que escolher o seu caminho, com maior ou menor angústia - mas ela sempre está lá, bem do ladinho.


Giancarlo Colombo

sábado, maio 23, 2009

Claro que estamos no ar!


Bom, demorou um pouco. Foram quase dois meses para finalizar um projeto (que começou no ano passado), que consumiu muito de todas as ótimas pessoas que nele estão.Agora, estamos no ar.

Conheça aqui
NexPeople. A versão do site é BETA, assim como a nossa vida. Ele vai ser cada vez mais populado, dia a dia.

E prá começar (muito) bem já estamos em um evento - totalmente digital - o 7o. SENAED Seminário Nacional ABED de Educação a Distância, de 23 a 31 de Maio. Clique aqui e acesse o programa; acesse, é gratuito. O nosso Twitter para o evento é está aqui.



GC

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

The Masie's learning focus

Let me explain something. Elliot Maisie is one of the most important worldwide e-learning speakers. Below I show a little bit of PDFs from his site - The Masie Center's Learning Consortium.

Gaming for Learning (view PDF) represents a family of methodologies and technologies for developing new models of learning, training and performance improvement. Gaming for Learning is not a panacea for solving all of learning and training issues; instead Masie believes it should be regarded as a set of tools and techniques with much to offer.

Game-Based Learning (view PDF) by Kurt Squire, University of Wisconsin-Madison. The CONSORTIUM funded the development of this Perspectives research paper to push our thinking about the future of Learning. Kurt has written a provocative and passionate paper about the current and future roles for Gaming in Learning.

Learning Techology Acceptance Study (view PDF). The MASIE Center and ASTD partnered on a study entitled, "If we build it, will they come?" This research helps us better understand how organizations can increase learner use and acceptance of e-learning technology. 

For complete list of Masie's articles, podcasts and free digital books click here


GC

sábado, janeiro 31, 2009

A História da Internet

Bom, história temos e história fazemos. Como trabalho com Internet desde seu lançamento comercial no Brasil (oops!) tive e tenho o privilégio de também fazê-la e de vivê-la ao lado de muita gente, de muitos empreendimentos que surgem com ela.  

Esse vídeo é didático o suficiente para fazer muita gente entender alguns porquês do que hoje vivenciamos. Não dá para viver sem a "D.Internet", aquela que trouxe consigo um caminhão de serviços - isso que você agora lê (a web), dentre outras muitas coisas. E estamos apenas começando:-)... "ainda na 3.0"...




GC

terça-feira, janeiro 06, 2009

Ranking da Morotola tem mais de 100 cidades digitais


Mais de cem municípios da América Latina se inscreveram no Ranking Motorola de Cidades Digitais, primeiro estudo que será realizado na região com o objetivo de conhecer o nível de digitalização das cidades participantes.

Os municípios inscritos são de países como Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru, Equador e Uruguai. Devido à grande quantidade de cidades interessadas, o prazo de inscrição foi prorrogado até 31 de janeiro.

O Ranking Motorola, elaborado pela consultoria Convergência Research, é fundamentado em variáveis que identificam o nível de inclusão digital entre diferentes atores sociais, divididos em três grandes grupos: cidadãos, empresas e administração pública. Essas variáveis são mensuradas e padronizadas mediante indicadores estabelecidos para as diferentes cidades. 

Dessa forma, é possível identificar o nível de digitalização dos municípios e elaborar um ranking geral para toda a América Latina.

“Para qualquer cidade, seja qual for sua localização ou tamanho, a digitalização significa um grande avanço rumo a uma verdadeira sociedade da informação. Trata-se de oferecer novos serviços aos cidadãos, como acesso a diferentes fontes de informações, facilitar as operações do dia-a-dia ou consultar órgãos públicos”, destaca Ramón Sierra, diretor de canais e desenvolvimento de negócios da Motorola.

O Ranking Motorola de Cidades Digitais é composto por duas etapas. A primeira fase vai analisar o nível de digitalização das cidades com base nos empreendimentos desenvolvidos pela administração pública. Durante a segunda etapa, será realizada uma pesquisa quantitativa e qualitativa nas primeiras 20 cidades do ranking.

fonte: UOL

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Eles já mostraram o caminho


Outros países já se saíram bem na tarefa de elevar o nível da educação. Conhecer esses exemplos -e copia-los - pode indicar atalhos ao Brasil

Se este texto chegasse a todos os brasileiros, é provável que apenas um em cada quatro deles conseguisse compreende-lo de verdade. 0 restante teria dificuldade porque padece de um estágio rudimentar de instrução: 38% conseguem apenas localizar informações explícitas em trechos pequenos, 30% só são capazes de ler e escrever períodos curtos e os demais são completamente analfabetos. Mudar esse cenário é condição imprescindível para o desenvolvimento do Brasil - nenhuma nação conseguiu alcançar o estágio de Primeiro Mundo sem educar a população. Para os especialistas, o Brasil está pelo menos um século atrás dos países desenvolvidos em quase tudo o que diz respeito à educação. Essa defasagem se tornou um problema mais dramático a partir do final dos anos 90, diante dos desafios da incessante inovação tecnológica e da economia crescentemente baseada no conhecimento. Como o Brasil pode superar esse atraso?

Um caminho é saber o que fizeram outros países que conseguiram, ao longo das últimas décadas, acelerar seu desenvolvimento educacional. Coréia do Sul, Irlanda, Finlândia e Chile estão entre os modelos. "As idéias podem surgir num lugar e ser adaptadas a outro. A inovação nem sempre é urna invenção. Pode ser uma cópia", diz Maria Madalena Santos, consultora do Banco Mundial nessa área. Uma lição fundamental é que a qualidade de um sistema educacional não pode ser maior do que a qualidade de seus professores. Foi essa a primeira conclusão a que chegou um estudo feito pela consultoria McKinsey, em junho de 2008, com 120 escolas de 20 países. Professores formados em cursos superiores fracos e que não evoluem durante a carreira são receita certa para um ensino desastroso. No Brasil, três em cada dez estudantes de pedagogia têm como origem o contingente de alunos com as piores notas do Ensino Médio. Além disso, quase 28% dos docentes da educação básica não possuem diploma universit ário, sendo que 4% destes não concluíram sequer o Ensino Fundamental. "Se o Brasil não for capaz de estimular jovens talentosos a entrar para a carreira de professor, os problemas não terão solução nem no médio nem no longo prazo", afirma Mozart Neves Ramos, presidente do movimento Todos pela Educação, que reúne representantes de empresas, organizações sociais, educadores e gestores públicos.

Na Coréia, apenas os alunos que figuram entre os 5% de melhor desempenho conseguem passar pelo rigoroso vestibular de pedagogia, que também avalia as habilidades em comunicação dos candidatos. 0 salário inicial que recebem depois de formados é quase o triplo da média paga aos professores brasileiros. Na graduação, os coreanos passam por estágios práticos supervisionados para garantir a qualidade didática. Também nesse caso o Brasil está na contramão. "Nossos alunos de pedagogia estão sendo preparados muito mais para a vida acadêmica do que para ensinar em sala de aula", diz Ramos. "Os cursos que formam os futuros professores estão cada vez mais longe da prática." Além da seleção e do preparo adequados, é preciso assegurar a educação continuada ao longo da carreira. Na Irlanda, pais que fez verdadeira revolução educacional dos anos 70 para cá, há serviços de apoio constante tanto para professores como para diretores de escolas.

Ao lado do investimento no professor, é necessário equipar melhor a escola pública com bibliotecas, laboratórios e computadores. 0 governo brasileiro investe por ano 1.700 reais em cada aluno da educação básica, metade do que gasta a Argentina - e um sétimo do que gastam, em média, os países da União Européia. A Coréia, devastada por uma guerra civil nos anos 50 (época em que, de cada sete habitantes, apenas um era alfabetizado), chegou a investir 10% do PIB em educação durante toda uma década. Mas não adianta nada gastar mais sem gastar melhor: é preciso aprimorar a gestão dos recursos. Os diretores de escola, em particular, precisam ser especialmente treinados para isso. Em Cingapura, eles passam por um curso de gestão de seis meses que inclui estágios em empresas. A adoção de critérios de meritocracia também ajuda a gastar melhor o dinheiro investido - e por isso é questão-chave em todos os casos de sucesso. 0 México, país que tem se saído melhor que o Brasil em avaliações internacionais, como o Pisa, que compara notas de alunos em ciências, leitura e matemática, mantém no ensino básico programas de pagamento ao professor de acordo com o mérito. No Brasil, a cultura de isonomia salarial na rede pública faz com que os maus diretores e professores se acomodem, enquanto os bons se desmotivam por falta de reconhecimento.

A pesquisa conduzida pela McKinsey mostra ainda que, se um país quer realmente avançar na educação, precisa abraçar o compromisso de não deixar nenhum aluno para trás. Segundo a Unesco, o Brasil apresenta índice de repetência de 18,7%, maior até que os 13% da África subsaariana, a região mais pobre do mundo. Na Finlândia, existe até graduação em pedagogia específica para professores que querem se especializar em aulas de reforço. Um em cada cinco estudantes do país faz reforço em algum momento da vida escolar. 0 resultado é que a Finlândia registra apenas 1 % de repetência, além de ser a primeira colocada no Pisa. As histórias de sucesso também mostram que a sociedade em geral e a família em particular precisam se envolver de forma profunda na educação. Durante a divulgação dos resultados do Pisa de 2001, a Alemanha foi surpreendida com resultados piores que o esperado. Seguiu-se uma verdadeira comoção nacional em torno da questão, com investigações, seminários e até mudanças legais. 0 contraste com o Brasil é evidente: os maus resultados nos exames internacionais não abalam a maioria dos pais de alunos. Na Colômbia, associações comunitárias foram capacitadas para participar diretamente da gestão da escola e cobrar de perto os professores, segundo um modelo criado nos anos 70. Implantado em 35 países, o modelo é utilizado por cerca de 10 000 escolas brasileiras, com o nome de Escola Ativa. "A mudança no ensino precisa abranger de forma sistêmica todos os que fazem parte do processo educativo: alunos, famílias, professores e gestores", diz Clarita Arboleda Colbert, responsável pela Fundación Escuela Nueva Volvamos a la Gente, que faz parcerias com a iniciativa privada para a expansão do sistema. Certamente essa é uma lição que vale para toda e qualquer iniciativa educacional de sucesso.

Lições de casa - Algumas iniciativas, principalmente no campo da gestão, que o Brasil poderia copiar de países que conseguiram registrar grandes avanços na qualidade do ensino nas últimas décadas

Seleção e formação dos professores
Na Coréia do Sul, o vestibular para a carreira de professor está entre os mais difíceis e só os 5% de candidatos com as melhores notas são aceitos. 0 mestrado é obrigatório. No Brasil, 28% dos docentes não têm nível superior

Remuneração atraente
0 salário inicial de um professor coreano equivale a 4 000 reais por mês. 0 valor pode dobrar em 20 anos. 0 salário médio dos professores no Brasil é 1500 reais, 37% abaixo da média dos profissionais diplomados em geral.

Investimento no Fundamental
Para chegar ao estágio atual, a Coréia investiu 10% do PIB em educação por uma década. 0 Brasil investe por ano 3.2% do PIB nessa área. Um aluno do Ensino Fundamental custa 1700 reais por ano, um sétimo do que gastam países europeus.

Exigência na gestão
Em Cingapura, as candidatos a diretor de escola têm de estudar administração. Depois, passam a ser avaliados em função dos resultados. Para ser diretor de escola brasileira, basta ter diploma de pedagogia ou licenciatura em educação.

Infra-estrutura adequada
As bibliotecas de escolas coreanas atraem famílias nos fins de semana. No Brasil, só metade das escolas públicas do Fundamental possui biblioteca, 25% têm acesso à internet e 15% laboratório de ciências

Valorização dos melhores
As verbas destinadas às universidades no Chile têm uma parte variável, fixada por avaliação do desempenho dos alunos e dos projetos realizados. No Brasil, professores e diretores, sejam eles excelentes ou ruins, ganham o mesmo.

Prioridade de Estado
Nos anos 70, o índice de analfabetismo na Irlanda era de 35% - hoje, é de 0,1%. Para conseguir esse resultado, os três maiores partidos políticos do país fizeram um pacto que sobreviveu a quatro trocas de presidente.

Dedicação dos alunos aos estudos
Os estudantes coreanos entram na escola às 7 horas e só saem às 16. Os alunos brasileiros da rede pública não passam mais que 5 horas por dia em aula. Ampliar a carga é uma etapa a vencer, após colocar todas as crianças na escola.

Reforço para quem precisa
Na Finlândia, de cada sete professores há um voltado para aulas de reforço, pelas quais passam 20% dos alunos. 0 MEC recomenda que o professor dedique 4 horas por semana a reforço, mas isso não é fiscalizado.

Envolvimento da família
A educação das crianças chega a consumir 30% do orçamento das famílias coreanas. Um estudo da Unesco apontou a falta de envolvimento dos pais na vida escolar como uma das causas da violência nas escolas no Brasil.



Fonte: Revista Exame

segunda-feira, julho 07, 2008

Para criar uma geração de cientistas, temos de ensinar ciência do século 21

O paulistano disputado por conceituadas instituições dos EUA fala ao ‘Estado’ sobre o uso da tecnologia na educação

Aos 35 anos, o paulistano Paulo Blikstein precisa escolher em qual das conceituadas universidades americanas vai querer trabalhar. Stanford, Berkeley, Carnegie Mellon e Universidade de Nova York começaram há dois meses uma disputa para ter o engenheiro brasileiro como professor. E isso, no mundo acadêmico dos Estados Unidos, quer dizer ofertas e mais ofertas para conquistar o indeciso.

Fora o salário que chega a US$ 10 mil por mês, uma das instituições garante US$ 200 mil para começar seu projeto de pesquisa, outra oferece cobrir despesas com mudança e moradia e todas fazem uma espécie de leilão de metro quadrado do laboratório em que Blikstein poderá trabalhar. Além das quatro, Harvard lhe ofereceu uma bolsa de pós-doutorado, que inclui dar aulas para a instituição.

Formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Blikstein passou a se interessar por educação e pesquisar sobre como a tecnologia poderia trabalhar a favor do ensino de qualidade. Sua devoção pelo educador Paulo Freire fez com que passasse a defender que a tecnologia fosse usada de maneira relevante para a vida dos estudantes. “Em muitas escolas, usar a tecnologia se resume a buscar dados para um trabalho. Mas é preciso aproveitar toda a motivação incrível que as crianças têm para criar, para mexer com tecnologia”, diz. Para isso, ele desenvolveu uma placa de robótica, com software livre, que pode ser usada em escolas no mundo todo para fazerem experiências de eletrônica e computação.

Blikstein fez mestrado e trabalhou em um grupo sobre aprendizagem no Massachusetts Institute of Technology (MIT), que fez com que testasse boa parte de seus projetos em escolas públicas brasileiras e de outros países em desenvolvimento. Agora, se dedica à criação de modelo computacional que pode prever como as crianças aprendem. “A idéia é que no futuro ele seja parte do treinamento de professores. Do mesmo jeito que um economista, antes de implementar mudanças na economia do país, simula o que pode acontecer.”

O brasileiro tem ainda dez dias para decidir seu futuro. Atualmente, ele vive em Chicago, onde termina seu doutorado na Universidade Northwestern.

Como acabou sendo tão disputado pelas universidades?

A avaliação das universidades é muito objetiva, eles vêem o número de publicações, e eu tenho muitas nesses oito anos que estou nos EUA. Há muitos modismos em pesquisas e eles não gostam do que é a nova moda. Eu fui sempre teimoso, dediquei-me a poucas idéias e persisti com elas, isso foi bom na minha avaliação. Como eu sou brasileiro, estudei na escola da filha do Paulo Freire, convivi intensamente com as idéias dela, isso deu um caráter original para o trabalho com tecnologia. Mas o processo é difícil, as universidades concorrem muito entre si e sabem as propostas umas das outras. Me ofereceram laboratório de 75 metros quadrados e colocam isso no contrato. Se tivesse só uma seria bem mais fácil.

Como você alia Paulo Freire e tecnologia?

É engraçado porque Paulo Freire é mais famoso nos EUA do que no Brasil. Lá tem Pelé, Ronaldo, Gisele Bündchen e Paulo Freire. O que ele falou, entre outras coisas, é que a educação tem de ser relevante para a vida do aluno e tem de ser adaptada ao contexto em que ele vive. Quando ele começou, foi numa vila de pescadores, que tinha aulas de alfabetização convencional em que tentavam ensinar a ler e escrever com palavras como ‘carros’, ‘prédio’. Ele começou a ensinar ‘peixe’, ‘rede’, ‘mar’ e deu certo. Muitas coisas que se faz de tecnologia são para adestrar os alunos dentro do laboratório de informática, se faz um joguinho de matemática, em que se acerta a conta e ganha cinco minutos de tiro ao alvo. Em muitas escolas, usar a tecnologia se resume a buscar dados para um trabalho. Mas é preciso aproveitar toda a motivação incrível que as crianças têm para criar, para mexer com tecnologia. O trabalho que eu faço é usar a tecnologia para construir projetos relevantes para a vida delas. Aquilo que a gente chama de aprender fazendo. Faz um robô, cria um programa, cria um produto, vê que não funciona direito, faz de novo.

E assim a criança produz conhecimento usando tecnologia.

Muita gente acha que produzir conhecimento é escrever um trabalho, mas pode ser criar um robô, um programa para coleta de lixo no seu bairro. Nem todo conhecimento demanda papel. Nem tudo que você faz na escola precisa estar no papel. O que tenho trabalhado em escolas do Brasil é propor para crianças a produção de projetos para resolver problemas da comunidade. Não é importante só criar o robô e sim o trabalho exaustivo durante o processo de criação desses produtos e as conexões que podem ser feitas com o que a criança aprende na escola. Não adianta fazer um projeto de robótica e não conseguir entender como aquilo se conecta com a aula. Fazer é algo muito natural para a criança. Mas é preciso refletir sobre o que está fazendo.

Como?

Essa é a questão fundamental. Em vez de criar um robô, pode-se criar um laboratório de ciências para os experimentos. Mas não um laboratório para você pingar coisas num tubo de ensaio. É preciso criar algo complexo, usando sensores, computadores. Isso une o melhor dos dois mundos, tem o rigor investigativo da ciência e usa a tecnologia. Na verdade, é o que os cientistas fazem hoje em dia. Muita gente fala que devemos formar cientistas para o desenvolvimento do Brasil. Mas o laboratório moderno de pesquisa não tem aquele cara de branco fazendo fumaça, pingando ácido em um tubo de ensaio. É tudo informatizado, com modelos matemáticos. Se a gente realmente quer criar uma geração de cientistas para contribuir para o avanço tecnológico do Brasil, a gente tem de ensinar a ciência do século 21 e não a do século 19.

Mas dá para fazer isso com baixo custo, em escolas públicas?

Tem várias formas de fazer isso muito barato. Quando a gente começou a trabalhar com robótica, usava um kit que custava R$ 1 mil, ninguém queria brincar porque tinha medo de quebrar. Resolvemos criar uma placa barata, de código aberto, qualquer um pode baixar da internet e comprar componentes simples. É algo que você liga de um lado no computador e de outro em motores e sensores. Pode programar esses motores e sensores para fazer o que quiser.

Há pesquisadores que acreditam que o Orkut, o MSN e outras tecnologias atuais emburrecem. Como vê esse tipo de posicionamento?
Se as crianças ficarem à própria sorte com computadores, isso pode acontecer mesmo. A comunicação é da natureza humana. Se você deixar a criança sem nada além disso para fazer, ela pode passar horas e horas nisso. O problema é muito mais o que a gente deixa de colocar no computador das crianças e a dinâmica do uso dos computadores nas casas do que uma crise dos tempos modernos. É preciso colocar o computador na sala e não no quarto da criança, em um lugar privado. Você, ao mesmo tempo, sabe o que está acontecendo e cria um espaço comum para o computador. Além disso, do mesmo jeito que os pais vão para o futebol prestigiar os filhos, tem de fazer o mesmo virtualmente. Se o seu filho conseguiu terminar um jogo, valorize. As famílias também têm de ter projetos juntas no computador, como álbuns de foto, site com entrevistas dos avós, vídeos, fotos. É uma chance de resgatar no seu filho o gosto de criar e de aprender com a tecnologia.

Qual a sua opinião sobre educação a distância?

Há dez anos, quando começou a crescer o e-learning, havia uma idéia de que era uma coisa milagrosa e ia se fazer educação de qualidade, a baixo custo, superar distâncias enormes. Mas percebeu-se que educação consome tempo, precisa de recursos humanos. Educação não é acessar materiais educativos. Você tem de estar em contato com alguém que saiba mais do que você para aprender alguma coisa.

O contato pode até ser virtual, mas para poder consumir os produtos de educação a distância é preciso ter o mínimo de formação. Ela só funciona para alguns tipos de conteúdo. Algumas escolas têm formas híbridas, com aulas presenciais e a distância, e acho que esse é o futuro. Nos EUA, muitas transmitem as aulas para os dormitórios dos alunos pela TV. Tem aluno que nem vai à aula, mas ele tem colegas presenciais e, se há dúvida, fala com o professor.

Cada pessoa tem um estilo de aprender. O bom da educação a distância é que ela obriga os sistemas tradicionais a se adaptarem ao que as pessoas precisam. Essa diferença entre distância e presencial vai ficar cada vez mais tênue. Mas educação precisa de gente ensinando gente.

Como funciona seu modelo computacional para aprendizagem?

Na educação, as pessoas têm teorias diferentes sobre como as crianças aprendem. Então, você coloca sua idéia de como o aprendizado acontece em um modelo de computador. Isso pode ajudar a entender, por exemplo, se é melhor decorar a matéria ou ensinar com mais tempo. O que se cria é uma rede de conceitos de duas condições, uma delas transmitindo muito rapidamente e em mais quantidade e outra, em menor quantidade e com mais tempo para conexões. Em um sistema de ensino tradicional, o aluno só recebe informações e a rede não tem muito tempo para se organizar, então podem ter conexões erradas, mas haverá mais volume de informação. Em outra condição, com mais tempo, talvez a criança tenha menos informação, mas entenda melhor o contexto.

Você já usou esses modelos em sala de aula?

Estamos no estágio de recolher dados em sala de aula para os modelos. A idéia é que, no futuro, daqui cinco, dez anos, eles sejam parte dos treinamento de professores. Ele pensa se vai criar grupos grandes, pequenos, misturar alunos que sabem pouco com aqueles que sabem muito. Coloca os dados e o modelo fala quais as estratégias melhores. Do mesmo jeito que um economista, antes de implementar mudanças na economia do país ou comprar ações, vê o que vai acontecer. O professor também vai ter ferramentas para que possa simular o que vai acontecer na sala de aula. Não para substituir, mas para complementar o arcabouço de teorias.

Você já declarou que o avanço da tecnologia caminha com a evolução humana. O que quer dizer com isso?

Marshall McLuhan, um dos mais importantes teóricos da comunicação do século 20, diz que nós criamos tecnologias, e as tecnologias nos recriam. Pense em como a vida desmorona em apenas algumas horas quando falta energia elétrica. Descobrimos a eletricidade e ela nos recria como seres humanos, inventamos a internet e imediatamente ela reinventa a vida humana. Nós temos que pensar a escola como um organismo vivo e a tecnologia como um dos elementos dentro desse organismo, como o sangue correndo nas artérias. As escolas onde se faz o melhor uso de tecnologia não têm laboratório de informática isolado, a tecnologia está em toda parte.

Fonte: Estado de S.Paulo

quarta-feira, julho 02, 2008

É possível fazer cursos totalmente a distância?


Hoje vamos comentar uma notícia recente publicada no Universia, tratando que apesar do crescimento expressivo da EAD recentemente - mensurável, entre outros fatores, pelo aumento na oferta de vagas de cursos a distância nas instituições - oferecer cursos no formato 100% não-presencial ainda divide especialistas.

Quem defende a modalidade como saída para driblar a exclusão no Ensino Superior aposta na viabilidade do modelo apenas em longo prazo. Os mais radicais, no entanto, não a consideram viável nem assim. Continuam a defender 20% de aulas presenciais para manter o contato do aluno com o professor e sua integração social.

A principal questão prática apontada por especialistas para que a proposta de cursos 100% não-presenciais continue a gerar tanta polêmica se deve ao fato de que a inclusão digital no Brasil ainda não é uma realidade. Isso significa que não são todos os estudantes com a preparação tecnológica exigida por esse tipo de curso. Muitos dependem dos pólos de apoio para estudar. Em alguns casos, estes pólos são muitos distantes das casas dos alunos. Sendo assim, o deslocamento, por si só, já seria um fator de exclusão.

Claro que eá existem diferentes pontos de vista - o que amplia positivamente a discussão. Em nossa opinião há - como em vários setores no país - um pé fincado no que passou, num passado moroso sem vista de futuro. Quando nos remetemos à falta de condição deste ou daquele setor, desta ou daquela localidade estamos também excluindo quem tem a condição e quem está em localidades onde há efetiva possibilidade de fazer algo. Pensando nos que não podem também excluímos os que podem - o que é incoerente e carrega o mesmo atraso.

Maria Beatriz Gonçalves, diretora de EAD da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), defende que não é possível haver aulas sem nenhum encontro presencial. Segundo ela, algumas atividades devem ser realizadas presencialmente, como provas - para evitar fraudes - e práticas de laboratório. Fora tais atividades, todo o conteúdo restante pode ser passado de forma virtual, mas falar em ensino totalmente a distância ainda não é possível no país, já que os pólos de EAD são necessários para promover a inclusão de alunos carentes o que parece ser coerente com a sua atividade em nível superior.

O Prof. Waldomiro Loyolla, presidente do Conselho Científico da ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância) onde somos mantenedores e "vorazes colaboradores", acredita que outro fator de impedimento para a realização de cursos 100% a distância são os recursos financeiros necessários para dispor dos aparatos tecnológicos fundamentais para se estudar em casa. Seu fundamento baseia-se em que a EAD totalmente on-line exige uma um aparato tecnológico dos alunos pois trata-se de um custo alto com o qual muitos não têm como arcar; daí a criação de pólos de apoio - outra alternativa para incluir pessoas com real interesse.

Há ainda outros comentários nesta mesma linha "não 100% a distância". Contudo - e aí vale a observação - todos são vindos de IES como a FGV (onde estudei), o Mackenzie (que muito admiro). Não há diálogo estabelecido com empresas que tem em seus quadros alunos formados em em cursos nesta modalide ou, indo mais longe, com os próprios alunos, ex-alunos, formados, desinformados, desistentes ou os persistentes. Este é o universo carente de pesquisa. E o lado prático da história.

Há claramente no país um "buraco" negro entre o ensino fundamental e o superior e que sentimos aumentar a cada dia que passa com as notícias que versam sobre o crescimento das atividades refletidas no PIB versus a falta de preparo, de qualificação, de gente com diploma do ensino médio - nosso efetivo gargalo.

Todos sabemos das dificulades da EAD mas elevá-las e chamá-las de "problema" é um outro degrau. Há um claro atraso no discurso sempre buscando um "culpado", quando na verdade deveríamos todos trabalhar na convergência de uma solução que tem verbo: fazer. Discutir, estressar as possibilidades, procurar o caminho deve ocorrer em qualquer situação. Contudo a diferença está em fazer algo pois o tempo passa e a competitividade bate a nossa porta.

Existe sim um ponto que observamos ser comum: graduação superior tem que ter algum encontro presencial. E nós entendemos que presencial é uma situação de mesmo tempo, síncrono (como um "live webcast", por exemplo) e não necessariamente no mesmo espaço físico. Pós-graduação, cursos livres, cursos certificados podem seguir o mesmo modelo ou ser 100% a distância, tudo dependendo do seu conteúdo, do seu objetivo instrucional, do seu suporte e da competência como é explicitado aos interessados.

sexta-feira, maio 09, 2008

Como tornar a EAD um negócio atrativo - Novas tecnologias e proximidade com alunos são fundamentais


Somente o investimento em qualidade pode tornar a EAD (Educação a Distância) uma modalidade rentável. A conclusão é dos especialistas que estiveram presentes no Seminário "Como tornar a EAD um negócio rentável para IES" promovido pelo IBC (International Business Communications) no início deste mês. Eles afirmam que o sucesso da modalidade é possível quando a instituição prioriza investimentos em prol da qualidade. Entre outros fatores, isso significa apostar numa plataforma de ensino eficiente, aliada ao treinamento de pessoal para dar suporte aos alunos.

O que todo curso de EAD (Educação a Distância) precisa para ser bem sucedido:

  1. Modelo pedagógico de qualidade
  2. Infra-estrutura na IES e nos pólos presenciais
  3. Capacitação de uma equipe multidisciplinar
  4. Diagnóstico detalhado do público-alvo
  5. Utilização do aprendizado com exemplos do dia-a-dia

O coordenador de atividades corporativas da UNOPAR (Universidade do Norte do Paraná), Paulo Ricardo Diniz, afirma que a formação dos tutores dos pólos é um diferencial porque confere mais agilidade na resposta ao aluno e garante maior dinamismo ao curso. Os tutores precisam ter, pelo menos, a especialização na área da matéria que acompanham. Assim, quando os alunos fizerem perguntas por meio da tutoria eletrônica (em aulas não-presenciais), eles podem responder aos estudantes em até 48 horas.

Na opinião de Diniz, investir em pólos presenciais com infra-estrutura tecnológica de suporte aos alunos também é um diferencial competitivo. Se a EAD fosse totalmente on-line abrangeríamos apenas as cidades que são digitalmente incluídas, ou seja, cidades em que se concentram as universidades. O foco do ensino a distância é atingir alunos de localidades onde não há acesso aos cursos de graduação tradicionais.

Diniz acredita que enquanto a EAD não se expandir e houver localidades em que os alunos carentes sejam excluídos digitalmente, o pólo serve como apoio para garantir que este estudante não desista do curso. Isso porque, hoje, o maior desafio da universidade é manter este aluno conectado à plataforma virtual de ensino sem se desmotivar. Quando assistem às aulas de suas próprias casas, os alunos precisam ter sua atenção presa pelo professor. Em alguns casos, isso ainda é muito difícil, porque a EAD ainda não está amplamente difundida. Muitos ainda a desconhecem e ao seu potencial. Nestes casos, alguns encontros presenciais podem ajudar, ao passo que tornam as aulas mais interativas e dinâmicas.

Avaliar o perfil do aluno vale a pena

A sócia diretora da Triunfus & Triunfus Virtual - Educação e Tecnologia, empresa que implanta a EAD nas instituições e auxilia no desenvolvimento do programa de ensino, Márcia Augusta Petrone, acredita que avaliar o perfil do aluno da EAD é indispensável para criar programas bem-sucedidos. "A instituição precisa saber qual é seu público-alvo e conhecer sua realidade. Os questionários socioeconômicos devem ser feitos de forma mais detalhada", diz.

Para aumentar as chances de sucesso, os cursos a distância da Mackenzie (Universidade Presbiteriana Mackenzie) a instituição segue esta regra e analisa o perfil de seus alunos de cursos a distância. O objetivo é conciliar aprendizagem com as perspectivas do mercado e da sociedade. Segundo o gerente de Informática da instituição, José Augusto Pereira Brito, a Mackenzie observou que tanto os alunos como o mercado exigem a utilização das ferramentas mais modernas encontradas na internet. Para atender a esta demanda, a instituição se preocupa em oferecer tecnologia de ponta e recursos inovadores.

Sabemos que alunos e professores são de mundos diferentes, mas os docentes da universidade mostram interesse em aprender a lidar com essa nova realidade de ensino. Por isso, apostamos em ferramentas tecnológicas modernas e investimos na atualização do professor para termos um bom resultado.

Outra forma que a universidade encontrou para estar presente na realidade dos jovens que cursam o ensino a distância foi utilizar o jogo virtual Second Life. Com ele, os alunos aprendem de uma forma descontraída numa ferramenta de enorme sucesso entre a faixa etária dos estudantes. Ele ressalva, porém, que os alunos não são obrigados a entrar no jogo virtual. Essa é só uma ferramenta usada para maior interação. O que é passado aos estudantes no jogo já foi visto na aula virtual.

Inovação é fundamental

A coordenadora do GVnet - Programa de Educação a Distância da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas) -, Marta de Campos Maia, critica instituições quem mantêm as aulas de ensino a distância de maneira conservadora. Ela atribui o sucesso dos programas do GVnet aos diferentes recursos e a capacidade do professor utilizá-los com maestria em sala de aula.

Em aulas conservadoras, o professor explica e o aluno apenas escuta. Não há troca. A FGV, trabalha com aulas interativas em que o aluno assiste ao vídeo do professor, vê as apresentações, imagens e filmes utilizados e, enquanto faz sua aula, já pode participar do fórum de discussões.

A sócia diretora da Triunfus & Triunfus concorda que a interação é um fator primordial. Os alunos querem compartilhar seu aprendizado e suas idéias com os colegas do curso. Sem encontros presenciais e a utilização de outras ferramentas que possibilitem o contato on-line a evasão se torna maior.

Na opinião da professora da GVnet, outro fator indispensável para combater a evasão é oferecer ao estudante o conhecimento por meio de vídeo aulas e outras ferramentas da internet que o jovem tenha familiaridade. Os alunos só aprendem aquilo que chama sua atenção, ainda mais quando estudam sozinhos. Por isso, é preciso desenvolver um material interessante para evitar a evasão e transformar a instituição em referência no mercado.

Marta acredita que obter sucesso, investir em tecnologia e criar cursos de ponta só é possível quando se desmistifica a EAD dentro das IES. Para isso, é necessário que a instituição ofereça treinamentos a fim de mudar a mentalidade dos envolvidos, como é o caso recorrente de professores resistentes ao uso de novas tecnologias. Ainda há quem pense que cursos a distância são de segunda linha. Também há quem os julgue ruins por não querer desenvolver a autonomia que essa modalidade de aprendizagem exige.

A sócia diretora da Triunfus & Triunfus ressalta a importância da organização da IES para o sucesso do ensino a distância. É preciso ter uma organização sem a fragmentação comumente vista nas universidades. As equipes devem ser capacitadas para trabalhar juntas, ao contrário do que vemos nas instituições, em que cada setor trabalha a EAD de forma individual. Ela acrescenta ainda que os resultados dos programas de ensino a distância devem ser expostos tanto para professores como alunos. Isso contribuirá para melhorias nos programas.

EAD no Brasil

O Censo da Educação Brasileira realizado pelo MEC (Ministério da Educação) em parceria com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) revela que a EAD cresceu 1.867% no Brasil entre os anos de 2003 e 2006.

De acordo com o diretor de regulação e supervisão em educação a distância do MEC, Hélio Chaves Filho, presente no Seminário, o ensino a distância tornou-se uma opção para quem quer estudar e mora em cidades que não têm oferta de cursos tradicionais. Somente 30% das cidades brasileiras possuem universidades e não há interesse da iniciativa privada implantá-las nas cidades menores, então a EAD surge como alternativa para quem mora longe das faculdades.

Chaves Filho diz que somente 17,2% da população brasileira é caracterizada como usuária regular da Internet. "Por isso, o ensino a distância não pode ser totalmente virtual. Há momentos presenciais que os alunos precisam ir aos pólos para assistir aulas, o que também garante a interação entre os estudantes".

Fonte: Estado de São Paulo