sexta-feira, maio 09, 2008

Como tornar a EAD um negócio atrativo - Novas tecnologias e proximidade com alunos são fundamentais


Somente o investimento em qualidade pode tornar a EAD (Educação a Distância) uma modalidade rentável. A conclusão é dos especialistas que estiveram presentes no Seminário "Como tornar a EAD um negócio rentável para IES" promovido pelo IBC (International Business Communications) no início deste mês. Eles afirmam que o sucesso da modalidade é possível quando a instituição prioriza investimentos em prol da qualidade. Entre outros fatores, isso significa apostar numa plataforma de ensino eficiente, aliada ao treinamento de pessoal para dar suporte aos alunos.

O que todo curso de EAD (Educação a Distância) precisa para ser bem sucedido:

  1. Modelo pedagógico de qualidade
  2. Infra-estrutura na IES e nos pólos presenciais
  3. Capacitação de uma equipe multidisciplinar
  4. Diagnóstico detalhado do público-alvo
  5. Utilização do aprendizado com exemplos do dia-a-dia

O coordenador de atividades corporativas da UNOPAR (Universidade do Norte do Paraná), Paulo Ricardo Diniz, afirma que a formação dos tutores dos pólos é um diferencial porque confere mais agilidade na resposta ao aluno e garante maior dinamismo ao curso. Os tutores precisam ter, pelo menos, a especialização na área da matéria que acompanham. Assim, quando os alunos fizerem perguntas por meio da tutoria eletrônica (em aulas não-presenciais), eles podem responder aos estudantes em até 48 horas.

Na opinião de Diniz, investir em pólos presenciais com infra-estrutura tecnológica de suporte aos alunos também é um diferencial competitivo. Se a EAD fosse totalmente on-line abrangeríamos apenas as cidades que são digitalmente incluídas, ou seja, cidades em que se concentram as universidades. O foco do ensino a distância é atingir alunos de localidades onde não há acesso aos cursos de graduação tradicionais.

Diniz acredita que enquanto a EAD não se expandir e houver localidades em que os alunos carentes sejam excluídos digitalmente, o pólo serve como apoio para garantir que este estudante não desista do curso. Isso porque, hoje, o maior desafio da universidade é manter este aluno conectado à plataforma virtual de ensino sem se desmotivar. Quando assistem às aulas de suas próprias casas, os alunos precisam ter sua atenção presa pelo professor. Em alguns casos, isso ainda é muito difícil, porque a EAD ainda não está amplamente difundida. Muitos ainda a desconhecem e ao seu potencial. Nestes casos, alguns encontros presenciais podem ajudar, ao passo que tornam as aulas mais interativas e dinâmicas.

Avaliar o perfil do aluno vale a pena

A sócia diretora da Triunfus & Triunfus Virtual - Educação e Tecnologia, empresa que implanta a EAD nas instituições e auxilia no desenvolvimento do programa de ensino, Márcia Augusta Petrone, acredita que avaliar o perfil do aluno da EAD é indispensável para criar programas bem-sucedidos. "A instituição precisa saber qual é seu público-alvo e conhecer sua realidade. Os questionários socioeconômicos devem ser feitos de forma mais detalhada", diz.

Para aumentar as chances de sucesso, os cursos a distância da Mackenzie (Universidade Presbiteriana Mackenzie) a instituição segue esta regra e analisa o perfil de seus alunos de cursos a distância. O objetivo é conciliar aprendizagem com as perspectivas do mercado e da sociedade. Segundo o gerente de Informática da instituição, José Augusto Pereira Brito, a Mackenzie observou que tanto os alunos como o mercado exigem a utilização das ferramentas mais modernas encontradas na internet. Para atender a esta demanda, a instituição se preocupa em oferecer tecnologia de ponta e recursos inovadores.

Sabemos que alunos e professores são de mundos diferentes, mas os docentes da universidade mostram interesse em aprender a lidar com essa nova realidade de ensino. Por isso, apostamos em ferramentas tecnológicas modernas e investimos na atualização do professor para termos um bom resultado.

Outra forma que a universidade encontrou para estar presente na realidade dos jovens que cursam o ensino a distância foi utilizar o jogo virtual Second Life. Com ele, os alunos aprendem de uma forma descontraída numa ferramenta de enorme sucesso entre a faixa etária dos estudantes. Ele ressalva, porém, que os alunos não são obrigados a entrar no jogo virtual. Essa é só uma ferramenta usada para maior interação. O que é passado aos estudantes no jogo já foi visto na aula virtual.

Inovação é fundamental

A coordenadora do GVnet - Programa de Educação a Distância da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas) -, Marta de Campos Maia, critica instituições quem mantêm as aulas de ensino a distância de maneira conservadora. Ela atribui o sucesso dos programas do GVnet aos diferentes recursos e a capacidade do professor utilizá-los com maestria em sala de aula.

Em aulas conservadoras, o professor explica e o aluno apenas escuta. Não há troca. A FGV, trabalha com aulas interativas em que o aluno assiste ao vídeo do professor, vê as apresentações, imagens e filmes utilizados e, enquanto faz sua aula, já pode participar do fórum de discussões.

A sócia diretora da Triunfus & Triunfus concorda que a interação é um fator primordial. Os alunos querem compartilhar seu aprendizado e suas idéias com os colegas do curso. Sem encontros presenciais e a utilização de outras ferramentas que possibilitem o contato on-line a evasão se torna maior.

Na opinião da professora da GVnet, outro fator indispensável para combater a evasão é oferecer ao estudante o conhecimento por meio de vídeo aulas e outras ferramentas da internet que o jovem tenha familiaridade. Os alunos só aprendem aquilo que chama sua atenção, ainda mais quando estudam sozinhos. Por isso, é preciso desenvolver um material interessante para evitar a evasão e transformar a instituição em referência no mercado.

Marta acredita que obter sucesso, investir em tecnologia e criar cursos de ponta só é possível quando se desmistifica a EAD dentro das IES. Para isso, é necessário que a instituição ofereça treinamentos a fim de mudar a mentalidade dos envolvidos, como é o caso recorrente de professores resistentes ao uso de novas tecnologias. Ainda há quem pense que cursos a distância são de segunda linha. Também há quem os julgue ruins por não querer desenvolver a autonomia que essa modalidade de aprendizagem exige.

A sócia diretora da Triunfus & Triunfus ressalta a importância da organização da IES para o sucesso do ensino a distância. É preciso ter uma organização sem a fragmentação comumente vista nas universidades. As equipes devem ser capacitadas para trabalhar juntas, ao contrário do que vemos nas instituições, em que cada setor trabalha a EAD de forma individual. Ela acrescenta ainda que os resultados dos programas de ensino a distância devem ser expostos tanto para professores como alunos. Isso contribuirá para melhorias nos programas.

EAD no Brasil

O Censo da Educação Brasileira realizado pelo MEC (Ministério da Educação) em parceria com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) revela que a EAD cresceu 1.867% no Brasil entre os anos de 2003 e 2006.

De acordo com o diretor de regulação e supervisão em educação a distância do MEC, Hélio Chaves Filho, presente no Seminário, o ensino a distância tornou-se uma opção para quem quer estudar e mora em cidades que não têm oferta de cursos tradicionais. Somente 30% das cidades brasileiras possuem universidades e não há interesse da iniciativa privada implantá-las nas cidades menores, então a EAD surge como alternativa para quem mora longe das faculdades.

Chaves Filho diz que somente 17,2% da população brasileira é caracterizada como usuária regular da Internet. "Por isso, o ensino a distância não pode ser totalmente virtual. Há momentos presenciais que os alunos precisam ir aos pólos para assistir aulas, o que também garante a interação entre os estudantes".

Fonte: Estado de São Paulo

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